Margarida Pereira e Luciene Cristina

Filha caçula do Tenente João Gomes de Lira e com uma larga experiência há mais de 20 anos em uma associação no interior da Paraíba, a Socióloga Luciene Cristina esclarece várias perguntas importantes e seu objetivo maior em ajudar as pessoas residente no Distrito de Nazaré do Pico.


Entrevistador:
Como surgiu a ideia de uma nova associação após 32 anos quando foi criada a primeira associação dos moradores?

Luciene Cristina: A ideia de uma Associação surgiu do desejo de dá a minha contribuição para Nazaré do Pico (Terra do meu Pai). Trabalhei por mais de 20 anos em uma Associação (ACRF), no Estado da Paraíba, tenho grande experiência nesta área. Por muitas vezes ouvi meu Querido Pai falar da sua preocupação com o futuro de Nazaré, ouvia ele dizendo: “Se Nazaré tivesse uma Associação…”, eu ouvia e ficava calada, não queria sair da minha zona de conforto, no entanto eu sabia que se eu quisesse eu poderia contribuir… Quando ele estava hospitalizado, eu sempre conversava com ele sobre Nazaré (sabia que era um assunto em que ele gostava de falar) e também a respeito da Associação. Certa vezes eu falei para ele: “Papai quando o Senhor sair daqui nos vamos formar a Associação de Nazaré…” Ele apenas disse: “É vai ser bom…”

Entrevistador: O que traz de diferente dessa vez já que nessa nova associação leva o nome de “Amigos de Nazaré do Pico”?

Luciene Cristina: A dominação inicial era Associação João Gomes de Lira (em homenagem ao próprio), no entanto percebemos que este nome soaria de forma muito personalizada, e pensamos algo mais amplo, que pudesse abranger e acolher pessoas de todos os cantos.
Não saberia dizer o que ela trás de diferente já que não acompanhei o processo das outras Associações. Uma diferença que vejo é o momento, vivemos um momento diferente de trinta e dois anos atrás.

Entrevistador: Por que em Nazaré as associações não deram certo?

Luciene Cristina: Como já falei na pergunta anterior eu não acompanhei o caminhar das outras Associações. Não me acho com autoridade para responder esta pergunta, pois me falta elementos para opinar a respeito.

Entrevistador: A Cohab é o local que tem uma maior concentração de pessoas, no entanto, é uma área esquecida pelo poder público, e em algumas situações ainda existem pessoas que moram em casa de taipa, é possível mudar à vida dessa gente?

Logomarca da Associação

Luciene Cristina: Você falou uma coisa importantíssima ‘ O Poder Público’ e ‘ Mudança de Vida’. Estes dois pontos que você tocou são interessantes para deixar uma coisa bastante clara: A Associação Amigos de Nazaré do Pico não está chegando como Tábua de Salvação de ninguém. A ANP irá trabalhar e se dedicar muito para abrir novos caminhos, mas nem a ANP nem o Poder Público pode fazer o que é papel das pessoas fazerem. Eu tenho muito cuidado quando se diz “a Associação pode Mudar a vida do Povo… Quem muda a Vida do Povo é o próprio Povo. A Associação vai estará junto apoiando, buscando soluções, Trabalhando para que todos tenham uma vida melhor, mas o povo precisa fazer seu dever de casa também. O Povo precisa participar do trabalho junto com a Associação.

Entrevistador: Ao longo dos anos o distrito tem obtido conquistas com maior sacrifício, em que a ANP poderia ajudar para que se torne mais acessível para o desenvolvimento?

Luciene Cristina: Sem dúvida a ANP é uma ponte para auxiliar no desenvolvimento do nosso distrito, a Associação pode abrir Portas, trazer Projetos importantes, etc. No entanto é importante que a população esteja junto, participando e interagindo com as Ações da ANP.

Entrevistador: Existe projetos que poderia dar certo, porém muitos não deram certo com o passar dos anos, é possível que se torne algo sustentável?

Luciene Cristina: Hoje em dia a grande preocupação dos Financiadores Nacionais e estrangeiros é com a continuação das Ações, isso nos leva para o campo da sustentabilidade. Não cabe mais você elaborar um Projeto sem pensar na sua Sustentabilidade. Pela minha experiência sei que um grande desafio, mas não impossível.

Entrevistador: Já tem um local definido para a sede da ANP?

Luciene Cristina: Existe uma casa na rua principal que está em processo de conversa, mas estou confiante, pois já conseguimos uma doação para o conserto do telhado que estava caindo. Esta casa além de beneficiar a ANP, irá beneficiar a comunidade como um todo.

Entrevistador: Qual é o maior desafio da ANP para inclusão social, principalmente com a juventude e existe áreas rural distantes da sede do distrito que passa por dificuldades em todos os aspectos, como fazer a inclusão social dessa gente?

Luciene Cristina: O Processo Inicial das Atividades e Ações da ANP junto aos jovens e população do meio Rural será um trabalho de conhecimento. Primeiro precisamos conhecer o território, conversar com as pessoas, vendo suas reais necessidades, suas potencialidades, as reais condições, etc. É o que chamamos de Levantamento do diagnóstico da população, essa etapa é trabalhosa e demanda tempo. Vamos ouvir a população para saber que tipo de trabalho iremos desenvolver com determinado publico.

Entrevistador: O que a juventude esquecida pode esperar da ANP?

Luciene Cristina: Dedicação e Trabalho, mas como falei a ANP também espera colaboração por parte dos jovens. A ANP precisa da juventude, das Ideias, da Alegria e da garra da juventude. Jovens Precisamos de Vocês!

Entrevistador: Por ser filha do saudoso Tenente João Gomes Lira, é o maior desafio da sua vida?

Luciene Cristina: Ser filha de João Gomes de Lira é motivo de alegria e orgulho, me sinto responsável de zelar e cuidar do legado que meu pai me deixou.

Entrevistador: O relacionamento da ANP e os políticos serão de que forma?

Luciene Cristina: Eu acredito que será uma relação respeitosa e amistosa, como Associação não temos partidos políticos, embora como indivíduos cada um/uma tenha sua ideologia e posicionamento político. Mas não acredito que isso seja um empecilho, precisamos dialogar com todos, sem restrições.

Entrevistador: Qual é a prioridade da ANP quando entrar em atividade?

Luciene Cristina: A ANP já está a pleno vapor, trabalhando muito no Projeto do Museu dos Nazarenos, sonho antigo de muitos Queridos/ Queridas que já não estão entre nós. Este Projeto é bastante complexo (o mais importante que já fiz), mas não estou só, aproveito da ocasião para agradecer a Rodrigo Novaes, Graça Novaes, Pedro Henrique, Cilinho, Margarida, Rosélia e Conceição (Museólogas). Como podem ver não estamos só, estamos acompanhados de pessoas que sonham os mesmos Sonhos.

Entrevistador: É possível revolucionar uma localidade com inclusão social em um local esquecido pelo poder público?

Luciene Cristina: É possível desde que a população abrace e participe das mudanças. Depende de uma mudança intima de cada um/uma, de um desejo real e sincero de fazer do seu lugar no mundo o melhor para se viver. Eu acredito, do contrário não teria deixado minha zona de conforto para viver essa doce e desafiante aventura.

Luciene Cristina: Quero agradecer aos meus companheiros de caminhada: Delcy Magalhães, João Rafael (Presidente), Marcos, Fátima, Elane, Uaiana, Guilherme e outros.

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  1. Ações realizadas pelo CECASCA
    – Distribuição de sementes de milho e feijão para os pequenos agricultores;
    – Distribuição de silos metálicos;
    – Manutenção de estradas vicinais;
    – Construções de poços artesianos e barragens;
    – Informações para que pequenos agricultores se habilitem para aposentadorias rurais;
    – Distribuição de cestas básicas em época de seca;
    – Promover reuniões com agricultores e agentes financeiros, para a obtenção de créditos rurais;
    – Mobilização e capacitação para pequenos agricultores serem beneficiados com terras em assentamentos rurais;
    – Participação efetiva na festa anual da padroeira;
    – Entre outras ações nas áreas educacionais, etc

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